2.Abril
Sharon: um novo Hitler?
A provocação acima sobrevoou minha mente nos últimos dias, depois de cenas e mais cenas do exército
israelense bombardeando e invadindo cidades.
Um dos exércitos mais bem armados do mundo contra uma população acuada, desrespeitada em sua própria
casa, subjugada a um povo que sempre usou a chantagem emocional de ter sido subjugado por Hitler.
Em nome desta perseguição de Hitler Israel se armou até os dentes, construiu armas atômicas e
químicas, espalhou espiões do Mossad, usou assassinos em ações secretas.
O governo de Israel até hoje usa a "perseguição de Hitler" como desculpa para suas ações.
Mas que diferença existe entre as ações de Hitler e as de Ariel Sharon? Não falo da escala, mas sim
dos princípios.
Hitler pretendia exterminar a povo judeu. Sharon pretende claramente exterminar o palestino.
Hitler queria conquistar a Europa e ser uma superpotência. Sharon sonha em atrair os Estados Unidos
para uma guerra contra todos os árabes e dominar o Oriente Médio.
Note que os palestinos sempre foram donos do território em que estão e do território "dado" a Israel
pelos aliados depois da segunda guerra mundial. Deram o que não lhes pertencia. Tiraram dos
palestinos a terra que era deles.
Hoje Israel invade, metralha, massacra, destrói. Como Hitler fez nos anos 40. O exército israelense
tatua os prisioneiros palestinos com números no pulso. Como Hitler nos anos 40.
Israel prende palestinos e os coloca em campos de concentração onde passam fome e necessidades. Como
Hitler. Usa como escudo uma grande potência, os Estados Unidos, como Hitler usou a Itália.
O governo de Israel usa o nacionalismo cego como razão para os ataques. Como Hitler. O
governo de Israel usa a pureza de sua raça como razão. Como Hitler.
Israel acusa qualquer um que discorde de seus atos como "anti-sionista", como se discordar de Israel
fosse crime. Como se discordar de Ariel Sharon fosse o mesmo que se aliar a Hitler.
Bom, considero Ariel Sharon um homem perigoso, maluco, militarista com fome de poder e de guerra, um
assassino tão cruel quanto Hitler, mesmo em menor escala. E não sou anti-sionista. Sou anti-Sharon.
O que mais me incomoda, porém, é o silêncio dos outros países árabes, mortos de medo de desagradar
George W. Bush, um homem igualmente militarista, sedento de guerra e - pior - com o dedo no maior
gatilho do mundo.
Já passou da hora de os países árabes enviarem tropas para defender a Palestina, já que a ONU,
impotente, "exige" a retirada das tropas de Israel mas não move um dedo neste sentido. Sabe que sem
os Estados Unidos não é nada.
E os Estados Unidos, que tem boa parte de seu PIB oriundo da exportação de armas e prefere ver
Israel dominando o Oriente Médio, já definiu seu lado nesta questão.
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